Quarta-Feira, 08 de Abril de 2020

Com texto sobre massacre indígena, aluna de escola pública de RO ganha Olimpíada de Língua Portuguesa

Cultura - domingo, 29/12/2019 às 15h59min
Com texto sobre massacre indígena, aluna de escola pública de RO ganha Olimpíada de Língua Portuguesa
Com texto sobre massacre indígena, aluna de escola pública de RO ganha Olimpíada de Língua Portuguesa

As memórias de um atentado que aconteceu na década de 60 contra o povo indígena Cinta-Larga se tornou uma história premiada nacionalmente nesse mês de dezembro na Olimpíada de Língua Portuguesa, promovida pelo Ministério da Educação (MEC) e parceiros.

Concorrendo contra mais de 11 mil estudantes em todo o país na categoria “Memórias Literárias”, a aluna trouxe a medalha de ouro para Rondônia com a história “Paralelo 11: do cocar vermelho ao pé de jatobá”.

“O meu texto relata uma terrível ocorrência de 1960 e que envolveu o povo Cinta-Larga. Com essa redação conquistei a medalha de ouro e estou muito feliz, especialmente pela orientação do professor Alan”, disse a aluna.

O texto premiado foi baseado em uma entrevista realizada com o Cinta-Larga Anemã Irun, de 50 anos.

Medalhas da Olimpíada de Língua Portuguesa — Foto: Itaú Social/Camilla Kinker

Karoline e o professor Alan Francisco Gonçalves de Souza, foram a São Paulo receber o prêmio no dia 9 de dezembro. O docente, que é referência no município por leitura e escrita, também recebeu uma medalha por esforço e dedicação nas olimpíadas.

Em entrevista, Alan disse que já é a terceira vez que ele traz alunos medalhas de ouro ao estado. A primeira foi em 2012. Na ocasião, o estudante Jhonatan Kempim escreveu o texto “O tempo, o chiado e as flechas”. Já em 2014, foi o ano da aluna Aline Glanzel ser a campeã com a obra “O Bailarino e a Cerejeira”.

“Cada vez foi uma sensação diferente, pois são textos do país inteiro e, quando a gente consegue ser o texto campeão, conseguimos perceber que nosso trabalho é de excelência”, contou o professor.

Além da medalha de ouro por Karoline, Rondônia também conquistou a medalha de prata na categoria de crônica pelo texto de outra aluna do professor: Letícia Prasser Cortês, de 14 anos.

Alan Gonçalves relatou que estava preparando os estudantes para o concurso desde abril, realizando oficinas e trabalhos de escrita e reescrita com alunos do 6°, 7°, 8° e 9° ano.

O concurso

A 6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa tem como tema “O lugar onde vivo”, um estímulo à reflexão sobre as realidades locais — Foto: Divulgação
A Olimpíada de Língua Portuguesa é um concurso de produção de textos para estudantes de escolas públicas de todo o país.

Essa é a 6ª edição da olimpíada, que teve a participação de mais de 85 mil professores, de 42.086 escolas, distribuídas em 4.876 municípios brasileiros.

Neste ano o tema escolhido foi “O lugar onde vivo”, e contou com cinco categorias: poema, memórias literárias, crônica, documentário e artigo de opinião.

Segundo a organização, dentre os 569 estudantes semifinalistas e seus professores (medalha de bronze), 173 foram selecionados como finalistas (medalha de prata) e, 28 foram vencedores (medalha de ouro).

O texto da estudante Karoline Vitória foi publicado nas páginas 58 e 59 da coletânea “O lugar onde vivo”, junto aos outros textos finalistas. Clique aqui para conferir.

 Massacre do Paralelo 11
O massacre ocorreu em 1963, quando fazendeiros invadiram aldeias, mataram indígenas com comida envenenada, dinamites, espalharam doenças e roupas contaminadas para afetar a população Cinta-Larga que vivia em diversas aldeias.

Apenas duas pessoas sobreviveram ao massacre, que foi parte do maior genocídio dos povos indígenas no Brasil.

Um dos casos mais emblemáticos é de uma indígena que foi amarrada de cabeça para baixo em uma árvore e teve seu corpo cortado ao meio por dois garimpeiros.

Fonte: G1


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